sábado, 15 de junho de 2013

Torta de morangos, aulas de estética

Lentamente, de tarde, ela entrou na cozinha e contou que o nome do coronel era tal e que isso, de alguma forma, era engraçado. E saiu. Tinha cabelos verdes. Continuamos a conversar sobre os protestos e a violência dos policiais e só a violência, o prazer, o sexo conjugal e só o sexo. Mais tarde, o jogo. Antes acenderíamos três cigarros no mínimo, fritaríamos três hambúrgueres de frango, um cheiro horripilante de gordura, enquanto discutíamos que, portanto a polícia impunha-nos novas drogas, que o gás e a violência, o estouro, o spray e principalmente o gás. Mais tarde, o estádio comportado, uma edificação. Um murmúrio de formigas dispersas. Antes, nosso amigos dinamarqueses, tocando músicas camponesas, de vários cantos do mundo. A torcida ruge devagar. Como orquestra.

Futebol é um esporte estúpido, primitivo, básico. Simples, óbvio. De modo que não vê-lo é bobagem, tanto quanto vê-lo. Portanto, vê-se. A vaia para a presidente é cheia de malícia e honestidade. Além do pássaro branco velho. O jogo é fraco, a torcida oscila em ondas, ovelhas, grandes olhos de esperança, espanto. O último gol, sem forçar, satisfeitos todos, sorridentes, os comentaristas são robozinhos, a torcida pula enquanto o sol cai em Brasília. Vários shows espalhados no Brasil, carnavais. Em grande festa, a torcida, não a massa, dispersa.

Ela passa e pergunta, acabou? Devem tramar alguma conspiração erótica. Eu queria terminar a garrafa e tinha frio. Subir os morros, em Perdizes, se conseguir erguer os olhos, são uns alpes magros, traçados pelo câncer preto do asfalto, ratoeira de judeus e católicos. E torcedores. Propaganda, gente gorda cheia de cerveja e refrigerante, alegres. Sobre o ambiente paira Maria Salazar, séria, com a boca masculina, olhar petrificado, julgando já com o veredicto sob a língua.

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